Dra. Juliana O. D'Icarahy Araki, São Paulo-SP, Mãe de paciente

Sou mãe de meninos, e desde de que meu filho mais velho completou 6 meses, comecei a visitar médicos sem parar, cada hora uma coisa nova, ou as mesmas coisas com supostas causas diferente. Só com o mais velho foram:......

Dois anos e dois meses de diferença depois do nascimento do meu filho mais velho tive a alegria de ter outro lindo menino, mas as visitas ao médico ficaram mais freqüentes. Quase toda semana visitamos hospitais ou consultórios particulares, com ou com outro ou até mesmo com os dois. Quando um pegava alguma coisa, o outro logo depois pegava também.

Apesar das freqüentes doses de antibióticos (que passaram a não funcionar plenamente), das inúmeras visitas a médicos, sempre ouvi que meus filhos eram saudáveis, se desenvolviam  e cresciam  acima da média, que eram só extremamente alérgicos, o que abria caminho para as inúmeras infecções.

Tentamos tudo que estava em nosso alcance, tratamentos, diversos médicos, até simpatias, mas nada fazia efeito, mudamos de casa duas vezes. As visitas aos médicos diminuíam nos verões, mas apenas diminuíam.

Até que em julho de 2008, meu filho mais velho de 5 anos, após uma noite de diarréia e 13 horas de internação no hospital faleceu por uma septicemia.

Só então as pessoas realmente começaram a me escutar, se meu filho passou com 10 pediatras e especialistas por ano de vida é muito pouco, mas contando baixo foram no mínimo 50 médicos que tiveram meu filho nas mãos, e à todos eles sempre contei todo o histórico, e nenhum deles foi capaz de prestar atenção no meu desespero e aflição, sempre ouvi:”Seu filho está bem, mãe, não se preocupe, ele é saudável.”, mas ele não era.

A médica que cuidou dele nas últimas horas, não conseguia acreditar que aquele menino não respondia a nada que eles tentavam. Só depois desse cataclisma, por que a morte de um menino por diarréia que tinha todas as condições e recursos de crescer feliz e saudável não pode receber outro nome, só depois de sua morte algumas pessoas começaram a me dar um pouco de atenção, ouvi muita besteira mas felizmente ( e provavelmente com o dedo divino) cheguei ao Dr. Charles Nasptz, que calmamente me escutou, prestou atenção a cada detalhe e me orientou a procurar no dia seguinte a Dra. Beatriz Carvalho, que com a mesma gentileza e atenção escutou cada palavra.

Desde então, meu filho mais novo, agora com 4 anos está em tratamento, melhorou muito, apesar de precisar fazer aplicações mensais de gamaglobulina, todos fazem cada dia que passamos na “casinha”, um momento especial, são todos dedicados, atenciosos, carinhos, acho até que não teria palavras para descrever a gratidão que sinto por cada um deles. E o que me conforta ainda mais é que a qualquer emergência (e as vezes elas acontecem),  todos estão sempre prontos a ajudar.

Existem pessoas que me dizem para colocar meus joelhos no chão e pedir a Deus para operar um milagre e curar meu filho, acho que se fizesse isso provavelmente seria uma blasfêmia, ao invés disso eu agradeço a Deus, pois cada dia de vida do meu filho é um milagre novo em nossas vidas.

Dra. Juliana O. D’Icarahy Araki